Crônicas ilustradas 2

Já no 2º grau, estudando no CEFET, conheci gente que tocava violão muito bem. Óbvio que fui cantar no Coral e, com o maestro Cesar Leining e sua esposa Silhane, melhorei minha técnica vocal e aprendi flauta doce.

O CEFET-PR foi a primeira grande escola onde eu aprendi música, e que me fez decidir seguir nesta carreira. Não tanto pelo ensino em si, mas pela multiplicidade de experiências e vivencias fantásticas para um garoto de periferia.

Cursei inicialmente Eletrônica e para não sair do Coral, do Conjunto de Flautas e do time de vôlei, cursei também mecânica, que só terminei quando voltei do quartel. Estudei lá dos 14 aos 20 anos com uma pausa de um ano para o serviço militar obrigatório.

Foi lá que ouvi falar de uma tal “Belas Artes” que era pública e ensinava violão “clássico”. Maestro Cesar me aconselhava a ir para a FAP – Faculdade de Artes do Paraná, mas eu queria violão “clássico”, pois sempre lembrava de Ralf tocando e minha prima suspirando…

E por falar em “suspirando”, a Flauta doce eu “aprendi” em duas semanas. Foi assim:

Haviam apresentações regulares dos grupos artísticos para os calouros. A gente era obrigado a ir assistir, e numa destas apresentações vi o Conjunto de flautas e vi também o primeiro grande amor da minha vida: Ana (não lembro o sobrenome).

Foi numa quarta-feira e na quinta eu estava lá, pedindo para entrar no grupo. Profa. Silhane me passou as instruções de que flauta comprar e o método do Mario Mascarenhas.. (sim, eu sobrevivi a esta porcaria porque o amor dá forças rsrs). Depois de uma sessão de aporrinhação a meus pais para comprarem a flauta, que por sorte era baratinha, passei o fim de semana assoprando e descobrindo as notas.

Na segunda-feira, já cheguei para o ensaio e sentei ao lado de Ana. Todo mundo riu. Eu ainda não sabia ler partituras e tocava tudo de ouvido. Profa. Silhane, com toda aquela paciência que os bons professores tem, me avisou que minha aula era depois do ensaio. Mas eu fiquei para assistir e fui perguntando como era que lia aquelas ‘bolinhas”.

Na aula ela explicou como assoprar e como ler, e na quarta eu já tocava toda a primeira oitava lendo… Sentei novamente ao lado da minha musa e todo mundo riu de novo… A professora novamente, com toda paciência, explica que para tocar no conjunto eu deveria saber as duas oitavas..

Sem problema: uma perguntinha aqui e outra ali para saber como era esta história de meio-buraco no polegar, e mais uma semana de estudo obsessivo, sentei ao lado de Ana na outra segunda-feira tocando as duas oitavas e mais as musicas do repertório que eu tinha tirado de ouvido.

A professora ficou bastante impressionada, e anunciou que: – “Já que o conjunto ganhara mais um flautista no naipe das sopranos, Ana poderia assumir seu posto no naipe das contraltos”. Do outro lado do conjunto…

Conjunto de flautas CEFET 1980

Sem problemas, aí eu já estava apaixonado pela música… Depois, descobri que Ana morava no mesmo bairro que eu, e já tinha namorado. Na foto, ela está encoberta…